A seis dias do primeiro turno, novas pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro concentrando as intenções de voto, enquanto campanhas aceleram articulações e partidos definem os últimos movimentos antes das urnas
A eleição presidencial de 2026 entrou oficialmente em sua semana decisiva. A seis dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os principais institutos de pesquisa divulgam seus últimos levantamentos, enquanto candidatos intensificam agendas, alianças e estratégias para conquistar os votos que ainda podem definir a composição do segundo turno.
Os números divulgados nesta segunda-feira, 28 de setembro, mostram uma disputa concentrada principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Embora os percentuais variem de acordo com a metodologia e o período de coleta, os levantamentos mais recentes colocam os dois candidatos em um patamar significativamente superior ao dos demais concorrentes.
No Datafolha, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre 22 e 23 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 34%. Augusto Cury e Ronaldo Caiado registram 4% cada, enquanto Renan Santos aparece com 3% e Romeu Zema com 1%. O levantamento entrevistou 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, também com margem de erro de dois pontos percentuais.
A diferença entre os levantamentos mostra também um aspecto importante da reta final: pesquisas eleitorais são fotografias de momentos distintos e utilizam metodologias diferentes. Datafolha, Quaest, AtlasIntel, Nexus/BTG e outros institutos adotam formas próprias de amostragem, coleta e ponderação dos dados. Por isso, a comparação direta entre números exige cautela.
Segundo turno permanece dentro da margem de erro
Quando o cenário é transferido para uma eventual segunda etapa entre Lula e Flávio Bolsonaro, a distância diminui.
Levantamento Nexus/BTG divulgado nesta segunda-feira aponta Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado está dentro da faixa de empate técnico.
Esse dado ajuda a explicar por que a última semana de campanha ganhou importância. Mesmo que os números do primeiro turno apresentem diferenças entre os institutos, os cenários de segundo turno permanecem mais próximos.
Na prática, isso aumenta a relevância dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha. No Datafolha, por exemplo, 18% dos entrevistados não declararam espontaneamente um candidato, embora a pesquisa estimulada apresente apenas 2% de indecisos.
Última semana terá uma enxurrada de pesquisas
A semana que antecede a votação será marcada por uma concentração incomum de levantamentos.
Seis institutos, entre eles Quaest, Nexus, Vox Brasil, Datafolha, Real Time Big Data e Palver, têm pesquisas previstas entre 28 de setembro e 3 de outubro. Todos os levantamentos destinados à divulgação precisam estar registrados na Justiça Eleitoral dentro das regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O calendário eleitoral também estabelece que 1º de outubro será o último dia para a divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão referente ao primeiro turno, além do encerramento da propaganda eleitoral paga ou impulsionada na internet.
Com isso, os próximos dias devem concentrar os últimos esforços das campanhas para ampliar conhecimento, reduzir rejeições, consolidar alianças e mobilizar eleitores.
São Paulo também vive uma semana de decisões
O cenário paulista ganhou uma nova movimentação nesta segunda-feira. Ricardo Salles, do Novo, anunciou a desistência da candidatura ao Senado e declarou apoio a Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL. O anúncio ocorreu ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
A mudança acontece poucos dias antes da votação e altera a configuração da disputa pelo Senado no maior colégio eleitoral do país.
Para o governo paulista, a eleição também reúne nomes como Tarcísio de Freitas, Fernando Haddad e outros candidatos registrados no sistema do TSE.
O movimento demonstra como, nesta fase da campanha, decisões individuais de candidatos podem provocar rearranjos políticos mesmo quando a votação já está próxima.
Senado terá renovação relevante
Enquanto a disputa presidencial concentra a maior parte da atenção nacional, uma transformação importante ocorrerá no Senado Federal.
Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do Senado. Cada eleitor poderá votar em dois candidatos, e os dois mais votados em cada estado e no Distrito Federal serão eleitos.
Antes mesmo da apuração, pelo menos 22 dos atuais ocupantes dessas 54 cadeiras já não permanecerão como titulares: 13 não são candidatos e outros nove disputam cargos diferentes ou participam de chapas como suplentes. O número final de mudanças poderá ser ainda maior dependendo do resultado das urnas.
Isso significa que a eleição de 2026 não definirá apenas quem ocupará o Palácio do Planalto. O resultado também poderá produzir uma mudança significativa na composição do Congresso Nacional, afetando a relação entre Executivo e Legislativo a partir de 2027.
A economia também acompanha as urnas
Em uma eleição nacional, o impacto não termina na política institucional. Mercado financeiro, empresários e consumidores acompanham os possíveis cenários porque decisões tomadas pelo próximo governo podem influenciar temas como política fiscal, juros, investimentos públicos, inflação, tributação e ambiente de negócios.
A reta final tende a aumentar a volatilidade das expectativas justamente porque o espaço para mudanças de discurso e posicionamento diminui à medida que a votação se aproxima.
Para empresas e investidores, portanto, a leitura dos números eleitorais não deve se limitar à pergunta sobre quem está à frente nas pesquisas. Também importa observar a formação das bancadas, os possíveis cenários para o Congresso, as alianças estaduais e as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos.
Essa dimensão será particularmente importante depois de 4 de outubro, quando os resultados do primeiro turno permitirão uma leitura mais concreta da futura correlação de forças políticas.
O que esperar até 4 de outubro
Os próximos seis dias deverão concentrar três movimentos principais: a divulgação das últimas pesquisas, a intensificação das campanhas e a definição dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.
O calendário do TSE determina que o primeiro turno ocorra em 4 de outubro. Caso nenhuma candidatura à Presidência obtenha a maioria necessária dos votos válidos, a eleição seguirá para uma segunda etapa em 25 de outubro.
Mais do que uma disputa entre candidatos, a eleição de 2026 chega ao seu momento decisivo como uma escolha que também definirá a composição do Congresso, dos governos estaduais e, consequentemente, o ambiente político e econômico dos próximos anos.
Os números atuais mostram uma corrida presidencial concentrada em dois nomes, mas ainda existe uma semana de campanha pela frente. E, em uma eleição marcada por diferenças estreitas em diversos cenários, os últimos dias podem ser tão relevantes quanto os meses que os antecederam.
Produção: Redação Caminho ao Capital