Ibovespa recuou 0,27% na sexta-feira, enquanto Azzas 2154 e Magazine Luiza tiveram fortes altas; em Wall Street, tecnologia e inteligência artificial sustentaram os índices
O mercado financeiro brasileiro encerrou a última semana em um movimento de realização e cautela. O Ibovespa fechou a sexta-feira, 25 de setembro, em queda de 0,27%, aos 183.476 pontos, mas o desempenho do índice escondeu uma sessão marcada por fortes oscilações entre empresas e setores.
Enquanto algumas das principais ações da Bolsa pressionaram o indicador, papéis específicos registraram altas expressivas e chamaram a atenção dos investidores. Entre os destaques positivos estiveram Azzas 2154, Magazine Luiza, IRB Brasil e Auren. Do lado negativo, Ultrapar, Vibra Energia e Petrobras ficaram entre as maiores quedas.
O cenário deixa uma mensagem importante para a abertura desta semana: em um ambiente de juros elevados, petróleo volátil, incertezas internacionais e eleições no Brasil, o comportamento das ações está cada vez mais dependente de fatores específicos de cada empresa.
Azzas dispara quase 13% e lidera altas
O principal destaque da sessão foi a Azzas 2154 (AZZA3), que avançou 12,97% na sexta-feira.
O movimento colocou a companhia muito acima das demais altas do pregão e ocorreu em meio às expectativas do mercado relacionadas à avaliação de alternativas estratégicas envolvendo a Farm Rio, uma das marcas do grupo.
Na semana, a Azzas também foi apontada pela XP como o principal destaque positivo do Ibovespa, acumulando valorização de aproximadamente 14,1%. A movimentação demonstra como eventos corporativos podem produzir impactos relevantes mesmo em um mercado pressionado por fatores macroeconômicos.
Magazine Luiza sobe 7,3%
Outro destaque foi o Magazine Luiza (MGLU3), que terminou o pregão com valorização de 7,30%.
A alta ocorreu em uma sessão na qual o setor de varejo apresentou comportamento positivo, contrastando com empresas ligadas a commodities e petróleo.
O movimento chama atenção porque o varejo é particularmente sensível à trajetória dos juros. Uma eventual redução do custo do dinheiro tende a alterar as expectativas sobre crédito, consumo e resultados financeiros das empresas do setor.
Por isso, ações de varejo permanecem entre os papéis mais sensíveis às expectativas relacionadas à política monetária brasileira.
Petrobras pesa sobre o Ibovespa
Se algumas empresas puxaram o mercado para cima, Petrobras fez o movimento contrário.
As ações preferenciais da companhia, PETR4, recuaram 2,58%, enquanto os papéis ordinários, PETR3, caíram 2%.
A queda esteve relacionada principalmente ao comportamento do petróleo no mercado internacional. O recuo da commodity pressionou as ações da Petrobras e contribuiu para manter o Ibovespa no campo negativo.
O movimento evidencia uma característica estrutural da Bolsa brasileira: empresas de grande peso no índice, especialmente Petrobras e Vale, podem influenciar significativamente o resultado diário do Ibovespa.
Ultrapar registra uma das maiores quedas
Entre as maiores perdas da sessão, Ultrapar (UGPA3) caiu 5,77%.
A ação ficou na primeira posição entre as maiores baixas do grupo de papéis acompanhados pelo Radar Ibov, seguida por Vibra Energia, que recuou 4,96%. Petrobras também apareceu entre as maiores quedas.
A diferença entre as maiores altas e baixas mostra o grau de dispersão observado no pregão. Enquanto AZZA3 ganhou quase 13%, UGPA3 perdeu 5,77%, uma diferença superior a 18 pontos percentuais entre os extremos.
Ibovespa ainda acumula alta em 2026
Apesar da queda semanal, o desempenho acumulado do mercado brasileiro permanece positivo.
Até o fechamento de sexta-feira, o Ibovespa acumulava alta de 13,87% em 2026 e avanço de 3,41% em setembro. No terceiro trimestre, a valorização chegava a aproximadamente 6,66%.
Na semana passada, porém, o índice recuou aproximadamente 0,95%.
O movimento mostra que uma semana negativa não altera, isoladamente, a tendência acumulada do ano, mas evidencia o aumento da sensibilidade do mercado às variáveis externas e domésticas.
Wall Street encontra suporte nas ações de inteligência artificial
Nos Estados Unidos, o cenário foi diferente.
As principais bolsas de Nova York encerraram a sexta-feira em alta. O Dow Jones avançou 0,93%, o S&P 500 subiu 0,51% e o Nasdaq ganhou 0,48%.
O principal motor da sessão foi novamente o setor de tecnologia, especialmente empresas relacionadas à inteligência artificial.
A Microsoft subiu 3,66%, enquanto Dell Technologies avançou 5,01% e Qualcomm ganhou 3,97%. O movimento ajudou a compensar as preocupações relacionadas à inflação e aos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
Na semana, o Nasdaq acumulou alta de 2,06%, enquanto o S&P 500 avançou 1,22% e o Dow Jones ganhou 0,28%.
Petróleo e juros continuam no centro das atenções
A abertura desta semana acontece sob influência de dois fatores importantes: petróleo e juros.
Na manhã desta segunda-feira, o petróleo apresentava forte valorização, enquanto os índices futuros americanos operavam em queda. A alta da commodity voltou a colocar pressão sobre as expectativas de inflação e sobre os rendimentos dos títulos americanos.
No Brasil, os investidores também acompanham a trajetória dos juros futuros e as expectativas para a política monetária.
A curva brasileira, entretanto, apresentou relativa resiliência na última semana. Segundo levantamento da XP, o DI para janeiro de 2027 encerrou a semana em 13,55%, enquanto o DI para janeiro de 2029 ficou em 13,83%.
Eleições entram definitivamente no radar dos investidores
Além dos fatores internacionais, o mercado brasileiro começa uma semana particularmente sensível às eleições.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os investidores acompanham não apenas a disputa presidencial, mas também as possíveis mudanças na composição do Congresso Nacional e nos governos estaduais.
A leitura do mercado não depende exclusivamente de quem aparece à frente nas pesquisas. As propostas econômicas, a trajetória fiscal, a composição do Congresso e a capacidade de articulação política do próximo governo também podem influenciar expectativas sobre juros, inflação, câmbio e investimentos.
Nesse contexto, a proximidade da votação aumenta a importância das pesquisas e dos discursos econômicos apresentados pelos candidatos, mas os números devem ser interpretados como fotografias de determinados momentos, e não como resultados eleitorais antecipados.
O que o investidor deve acompanhar nesta semana
O mercado começa a semana com uma combinação de fatores que podem aumentar a volatilidade.
Entre os principais pontos de atenção estão:
Petróleo: movimentos bruscos da commodity podem afetar Petrobras, inflação e expectativas de juros.
Estados Unidos: dados econômicos e declarações do Federal Reserve continuam determinantes para os Treasuries e para os ativos de risco.
Juros brasileiros: mudanças nas expectativas para a Selic afetam principalmente bancos, varejo, construção civil e empresas mais dependentes de crédito.
Eleições: pesquisas, debates e novas movimentações políticas podem provocar mudanças nas expectativas dos investidores.
Resultados corporativos: fatos específicos de empresas podem continuar produzindo movimentos muito superiores aos do próprio índice.
Uma Bolsa dividida entre macroeconomia e histórias individuais
O pregão de sexta-feira mostrou uma característica cada vez mais importante para quem acompanha a Bolsa brasileira: o Ibovespa pode apresentar uma variação relativamente pequena enquanto determinadas ações registram movimentos muito mais intensos.
A queda de 0,27% do índice ocorreu em uma sessão na qual AZZA3 subiu quase 13%, MGLU3 avançou mais de 7% e UGPA3 recuou quase 6%.
Isso significa que acompanhar apenas o desempenho do Ibovespa oferece uma visão incompleta do mercado.
Para o investidor, a leitura passa cada vez mais pela combinação entre cenário macroeconômico, fundamentos das companhias e eventos corporativos. E, nesta semana, essa equação ganha ainda mais um componente: a reta final das eleições brasileiras.
Produção: Redação Caminho ao Capital