Fim das bets ameaça quase R$ 1 bilhão em patrocínios no futebol brasileiro

Futebol

Clubes terão de buscar novas fontes de receita após medida que proíbe publicidade e patrocínio de empresas de apostas

O futebol brasileiro pode perder uma das principais fontes de receita comercial dos últimos anos. A Medida Provisória 1.394/2026, publicada em setembro, proibiu a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas no país, colocando em risco contratos milionários firmados com clubes.

Segundo levantamentos divulgados nos últimos dias, 14 dos 20 clubes da Série A possuem empresas de apostas como patrocinadoras principais, em acordos que somam cerca de R$ 910 milhões. Entre os maiores contratos estão Flamengo, Corinthians e Palmeiras.

O impacto já começa a preocupar os clubes. No Flamengo, o diretor de futebol José Boto afirmou que a perda da receita das bets pode afetar o planejamento esportivo. Em um cenário mais severo, segundo o dirigente, a venda de jogadores poderia ser utilizada para compensar parte da redução das receitas.

O problema não está apenas na camisa. As empresas de apostas também movimentam dinheiro em placas de estádio, conteúdos digitais, transmissões e outras propriedades comerciais. Substituir esse volume de investimento, portanto, exigirá uma reestruturação do mercado de patrocínio esportivo.

A tendência é que bancos, varejistas, montadoras, empresas de tecnologia e outros segmentos passem a disputar esse espaço. Mas dificilmente haverá uma substituição imediata de todo o dinheiro que as bets colocavam no futebol.

Para os clubes, a situação traz um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade: diversificar receitas e transformar a força de suas torcidas em negócios mais sustentáveis, por meio de programas de sócios, produtos licenciados, experiências, conteúdo digital e novas propriedades comerciais.

O futebol brasileiro continuará atraindo grandes marcas. A questão agora é saber quanto elas estarão dispostas a investir e, principalmente, o que os clubes conseguirão entregar em retorno.

No fim, a disputa pelo próximo patrocinador será tão importante quanto a disputa dentro de campo.

Produção: Redação Caminho ao Capital

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